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Foto: Reprodução
Falando de Caculé...
Quando entrava de férias da escola, arrumava a mala e corria pra Caculé. Lá moravam minhas irmãs Lourdes e Oneide. Normalmente ficava na casa da segunda, pois era mais parecida comigo, e por ser mais jovem que a outra, me deixava mais à vontade. Não que Madrinha Lourdes pegasse no meu pé, mas com Oneide e meu cunhado Orlando, tinha mais abertura para conversar.
Foi ali que tive meu primeiro namorado, o segundo, o terceiro... e todos rapazes lindos. Meus primeiros amores... Aliás, um deles, postulante a jogador de futebol, foi um dos homens mais bonitos que já conheci. Amores de uma adolescente cheia de sonhos, menos o de entrar numa igreja de véu e grinalda e assinar um compromisso que não queria ter. Namorar era bom demais, mas, quando se falava em casamento, o grito de liberdade que me é inerente, era bem mais alto e sonoro. (Aceito uniões, mas não amarrações documentadas. Nunca me casei oficialmente. Nada contra quem aceita, mas eu sou livre por natureza e nenhum documento me fará ser fiel se o amor acabar. Eu sou fiel sim, mas ao que sinto e ao que sentem por mim.)
Caculé, na época, era uma cidade pequena e bonita. Uma praça com um lindo jardim de Fícus, todos podados, um caramanchão no centro e um gramado verdinho. Não havia bancos. A gente ficava passeando de um lado pra outro no passeio do lado mais alto, e os rapazes ficavam em pé, conversando. Ali nasciam paqueras e amizades.
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Caetité e seus guetos
Outro dia estava batendo um gostoso papo com uma amiga e conterrânea, quando ela me disse: “Ora Luz, o chique de Caetité era morar na Rua Barão!” Dei uma boa gargalhada, mas acabei concordando com ela. Nós nos referíamos aos anos sessenta, claro.
Caetité é uma cidade serrana, enladeirada, de clima agradável e muito frio no inverno. Chegou a ser cogitada, ainda na época do império, para ter um centro de tratamento da tuberculose, que seria no Hospital Regional, que para isso foi construído. Mas nunca aconteceu. E a Rua Barão de Caetité fica no seu ponto mais alto, tendo assim um clima muito mais agradável.
Concordei por diversos fatos. Era a maior rua da cidade, a mais habitada. E ali estavam todos os “doutores”. Os da medicina, os das leis... e uma grande leva de professores, que eram, assim, os cidadãos mais brilhantes e respeitados. Sim, pois naqueles tempos professor era respeitado, admirado, valorizado pela sociedade (embora nunca o tenham sido pelo governo, em se tratando de salário). Ali também havia morado o homem que deu seu nome à rua, o Barão de Caetité, Dr. José Antônio Gomes Netto, um nobre magistrado nascido em Ceraima (Guanambi, que àquele período pertencia a Caetité), e foi um grande líder político da nossa Vila Nova do Príncipe. E também o seu genro, Dr. Joaquim Manoel Rodrigues Lima, o primeiro governador constitucional da Bahia.
























