Mesmo com Zé Cocá, o PT sempre venceu em Jequié
Mesmo com sua expressiva votação local, o fato é que o PT e seus aliados mantêm uma invencibilidade histórica em todos os 20 municípios da região.
Por: Yuri Almeida
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Foto: Yuri Almeida | Arquivo pessoal
No xadrez político da Bahia, o Vale do Jiquiriçá consolidou-se como uma das peças mais resilientes do tabuleiro governista. Enquanto a oposição tenta personificar em Zé Cocá uma ameaça à hegemonia petista, os dados revelam uma realidade distinta: o que existe é um "cinturão governista" que não apenas resiste, mas isola o prefeito de Jequié (que pertence ao Médio Rio de Contas) em um enclave geográfico e político. Mesmo com sua expressiva votação local, o fato é que o PT e seus aliados mantêm uma invencibilidade histórica em todos os 20 municípios da região. A força de Zé Cocá, embora robusta em Jequié — onde saltou de 38,29% em 2020 para 91,97% em 2024 —, carece de capilaridade regional. Ao analisarmos o mapa do Vale, (afinal, Zé Cocá iniciou sua vida política como prefeito de Lafaiete Coutinho) Jequié aparece como um ponto fora da curva em um oceano de domínio governista. O isolamento de Cocá é acentuado pelo cerco estratégico de Jerônimo Rodrigues, que já garantiu o apoio de 14 das 20 prefeituras da região e deixa o projeto da oposição restrito a Jequié e pequenos satélites como Lafaiete Coutinho e Itiruçu. O segredo da "blindagem" do Vale reside no fenômeno do lulismo. Lula não é apenas um nome na cédula; é um traço cultural consolidado na região. Com uma média de votação superior a 76% e picos de 84,62% (Santa Inês) e 84,40% (Cravolândia), Lula funciona como um motor de alta tração que puxa as candidaturas de Jerônimo, Wagner e Rui Costa. Essa fidelidade inabalável cria uma correlação de votos forte (0,76). A série histórica (2002-2022) mostra que, mesmo quando o cenário nacional foi adverso, o eleitor do Vale nunca flertou com a oposição majoritária. Para Zé Cocá e ACM Neto, o desafio não é apenas vencer o PT, mas vencer a conexão emocional e histórica que o povo do Jiquiriçá mantém com o projeto federal e estadual de Lula. Os dados de 2024 confirmam que a base governista não sofreu erosão. A vitória de prefeitos aliados em dois terços da região (PT, PSD, Avante e PSB) assegura o controle das máquinas municipais e a capilaridade direta em cada distrito. A correlação é cirúrgica: Desempenho dos prefeitos da base (2024): média de 65%. Desempenho de Jerônimo (2022): média de 65,9%. Essa estabilidade demonstra que o capital político está preservado. Enquanto a oposição celebra números isolados em Jequié, o governo Jerônimo opera uma estrutura homogênea que cobre a vasta maioria do território. Com o controle de 14 prefeituras estratégicas, incluindo o contrapeso de Jaguaquara (onde o PT venceu com 66,7%), o governo estadual bloqueia as rotas de expansão da oposição. Zé Cocá é um líder forte em uma cidade forte, mas sua influência termina onde começa o cinturão de prefeitos aliados a Jerônimo. O cenário para 2026 no Vale do Jiquiriçá é de uma blindagem profunda com a vitória provável de Jerônimo em todos os 20 municípios, feito já realizado na eleição anterior. Vale lembrar que, mesmo com Zé Cocá prefeito, em 2022, Jerônimo venceu ACM Neto em Jequié, com 51,41%. A oposição entra na disputa tentando transformar uma "onda localizada" em Jequié em uma maré regional, mas os dados mostram que o mar continua sendo do PT. Com Lula como o grande eleitor e uma rede de prefeitos resilientes, o governo entra na próxima disputa com o Vale do Jiquiriçá como um território de vitória muito provável, deixando Zé Cocá isolado na tarefa hercúlea de tentar furar uma das bases mais sólidas do petismo na Bahia.
*Yuri Almeida é professor, estrategista político e especialista em campanhas eleitorais.
Da persuasão à mobilização: o que está em jogo nas eleições de 2026
Segundo a Quaest, 55% dos entrevistados se sentem frustrados, pois reconhecem que ganham mais, mas a vida não melhorou devido à explosão do custo de vida.
Por: Yuri Almeida*
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Foto: Yuri Almeida | Arquivo pessoal
Há uma grande dissonância entre os indicadores econômicos oficiais (PIB em crescimento, inflação controlada e desemprego baixo) e a percepção da maioria dos brasileiros, onde 43% afirmam que a economia piorou e 61% dizem ter menos poder de compra. A chave para essa contradição é o conceito de affordability (relação entre renda e custo de vida). Segundo a Quaest, 55% dos entrevistados se sentem frustrados, pois reconhecem que ganham mais, mas a vida não melhorou devido à explosão do custo de vida. Este paradoxo impede que os bons números oficiais se traduzam em dividendos políticos para a reeleição do presidente Lula, refletindo uma tendência global de enfraquecimento da correlação entre sentimento econômico e aprovação presidencial. Gratidão não se traduz em votos: Apesar de o Governo Federal apresentar um pacote robusto de "entregas" e políticas sociais, como o Bolsa Família, que historicamente beneficiaria os incumbentes, os dados mostram que a aprovação do governo não registra saldo positivo há mais de um ano. Isso ocorre porque a “dinâmica da gratidão automática” parece ter se esgotado. Para cerca de 70% dos brasileiros, os programas sociais deixaram de ser vistos como favores e passaram a ser percebidos como direitos consolidados, uma vez que a rede de proteção foi mantida e ampliada por governos anteriores (Jair Bolsonaro e o Congresso). O desafio da comunicação política é reconstruir a narrativa, mostrando que as escolhas políticas concretas (votar em A ou B) levam a desfechos diferentes na vida das pessoas. Um país que se descobriu mais à direita: Com a perda de força explicativa da economia e das entregas de governo, os valores ganharam espaço na explicação do voto. O Brasil passou por um deslocamento para posições mais conservadoras e tradicionais. A autodeclaração de direita aumentou de 28% para 36% desde 2007, e a de centro subiu de 28% para 37%. A esquerda, por sua vez, recuou a 23%. A maior novidade é que apenas 4% permanecem indefinidos, em comparação com 22% em 2007. Essa migração se deu porque o discurso da direita conseguiu organizar valores conservadores que antes não se reconheciam em nenhum projeto político. Curiosamente, a juventude, embora mais conservadora em alguns temas, tende a buscar o centro e rejeitar a polarização, abrindo uma oportunidade para discursos menos binários em 2026. Lula, direita, bolsonarismo e a calcificação do eleitorado: Os valores influenciam a percepção das lideranças, ilustrando a confusão do eleitorado: 45% veem Lula como um radical de esquerda. O eleitorado está praticamente calcificado e dividido em dois grandes blocos de 35% cada: um alinhado a Lula (lulismo, maior que a esquerda) e outro alinhado à direita (maior que o bolsonarismo). A calcificação é o processo, descrito por Nunes e Traumann (Biografia do Abismo), em que o eleitor se agarra ao seu campo político por medo da vitória do "outro lado", transformando grupos de apoio em "fã-clubes" menos permeáveis à persuasão. Essa dinâmica é alimentada por uma polarização imaginada, onde os eleitores superestimam o peso dos extremos (pensam que há 35% de lulistas e 32% de bolsonaristas, enquanto os números reais são 20% e 13%, respectivamente), o que reforça o clima de "guerra cultural". A batalha de 2026: mais mobilizar do que convencer: A eleição de 2026 tende a ser uma disputa pautada pelo desejo de mudança. As simulações da Quaest indicam um quadro competitivo, com Lula operando próximo ao seu piso e com dificuldades para crescer entre os independentes (cerca de 25%). Flávio Bolsonaro replica o movimento, consolidando seu campo e crescendo entre os independentes (18%). No entanto, o centro é enganoso: embora 29% dos eleitores se posicionem no meio, uma grande parte é apática e desinteressada da vida pública. Diante de um eleitorado calcificado e um centro reduzido e desinteressado, a lógica da campanha se desloca da persuasão (mudar a opinião) para a mobilização (levar o eleitor a votar). Com abstenções crescentes, a margem de decisão se torna estreita, e o que decidirá a eleição é a capacidade de transformar simpatizantes em militantes e eleitores desanimados em participantes ativos. Desafios e oportunidades para 2026: Fórmulas simples serão insuficientes em 2026. Governos não podem mais confiar apenas em números econômicos positivos, pois o eleitor prioriza a capacidade real de pagar o custo de vida. Da mesma forma, programas sociais não garantem mais votos automaticamente. Oportunidades surgem no espaço dos valores e da narrativa. Partidos e candidatos que souberem equilibrar o entendimento do país mais conservador com a demanda por moderação da juventude terão vantagem. A disputa será travada sobre um centro pequeno e de baixa energia cívica, e a prioridade das campanhas será mobilizar afetos e contar uma história convincente sobre como decisões políticas produzem ou não uma vida melhor. A máxima que resume 2026 é a percepção de justiça na vida concreta – e a capacidade de mobilizar afetos em torno dela – que decidirá quem governa o país. *Yuri Almeida é estrategista político, professor e especialista em campanhas eleitorais.
Brasil no espelho: o que podemos aprender com o livro de Felipe Nunes?
Religião e família continuam sendo os pilares centrais da autoimagem brasileira.
Por: Yuri Almeida e Guilherme Barbosa*
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Foto: Divulgação
O Brasil que emergiu da redemocratização não é apenas mais plural; é também mais conflituoso consigo mesmo. À medida que o país passou a se ver como um conjunto de múltiplas identidades — raciais, regionais, de gênero, geracionais, religiosas —, o espelho devolveu uma imagem desconfortável: na média, continuamos sendo uma sociedade conservadora, profundamente religiosa, apegada à família, desconfiada do outro e cética em relação a soluções coletivas. O grande mérito empírico de Brasil no Espelho, de Felipe Nunes, está em organizar, com base em quase 10 mil entrevistas (maior levantamento já feito sobre valores, atitudes e percepções no país), esse emaranhado de crenças em 137 indicadores e nove segmentos de identidade.
A hegemonia discursiva da meritocracia no marketing político
Assim, a hegemonia opera no nível da superestrutura, moldando a consciência social e internalizando a dominação, tornando-a menos dependente do uso direto da força.
Por: Yuri Almeida
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Foto: Arquivo Pessoal | Yuri Almeida
O discurso meritocrático tornou-se senso comum no imaginário popular, obscurecendo as causas estruturais das desigualdades provocadas pelo capitalismo. A eficácia desse discurso apropriado pela direita reside em sua simplicidade e na responsabilização individual pelo sucesso ou fracasso (McNamee & Miller, 2009). A teoria da hegemonia de Gramsci (1971) é fundamental para compreender esse processo. Gramsci descreve como uma classe dominante mantém seu poder não apenas através da coerção (o aparato repressivo do Estado), mas também através do consentimento das classes subordinadas. Essa dominação ideológica é construída através de instituições da sociedade civil, como escolas, igrejas, mídia e cultura popular, que disseminam os valores, normas e visões de mundo da classe dominante, fazendo com que eles pareçam naturais, universais e de senso comum. Assim, a hegemonia opera no nível da superestrutura, moldando a consciência social e internalizando a dominação, tornando-a menos dependente do uso direto da força. Para Gramsci, a superação da hegemonia burguesa requer uma longa e árdua "guerra de posição". Em vez de uma tomada de poder abrupta, como na "guerra de movimento", as classes subalternas precisam construir uma contra-hegemonia, desenvolvendo sua própria visão de mundo, seus intelectuais orgânicos (ligados às suas experiências e lutas) e suas próprias instituições culturais e políticas. Esse processo envolve a conquista gradual de espaços na sociedade civil, a formação de uma nova vontade coletiva e a criação de um bloco histórico alternativo, capaz de desafiar a ordem estabelecida e construir um novo consenso em torno de um projeto emancipatório. A luta pela hegemonia é, portanto, uma batalha cultural e ideológica tão importante quanto a luta econômica e política. Em sua obra "Ideologia e Aparelhos Ideológicos do Estado" (1970), Louis Althusser desenvolve uma teoria da ideologia que a concebe não como um mero conjunto de ideias falsas ou uma superestrutura dependente da base econômica, mas como uma prática social material e onipresente. Para Althusser, a ideologia funciona através dos Aparelhos Ideológicos do Estado (AIEs), que incluem instituições como a família, a escola, a igreja, a mídia, o sistema jurídico e político, entre outros. Esses aparelhos, embora distintos do Aparelho Repressivo do Estado (ARE) (governo, polícia, exército, prisões), que opera primariamente pela violência, atuam principalmente pela ideologia, inculcando nos indivíduos um conjunto de crenças, valores e práticas que os sujeitam à ordem social existente e reproduzem as relações de produção capitalistas. A ideologia, para Althusser, tem como função principal a interpelação dos indivíduos em sujeitos. Esse processo ocorre quando somos "chamados" pela ideologia e reconhecemos nosso lugar dentro da ordem social. Essa interpelação é sempre uma "interpelação em sujeitos", ou seja, somos sempre interpelados como sujeitos livres e autônomos, mesmo que essa liberdade seja ilusória e nossa subjetividade seja construída pelas relações de poder. A ideologia, portanto, não é meramente uma representação falsa da realidade, mas sim o próprio modo como vivemos nossa relação imaginária com as condições reais de nossa existência. Ela é essencial para a reprodução das relações de poder, garantindo a submissão dos indivíduos à ordem estabelecida de forma aparentemente voluntária e natural. A extrema-direita construiu um bloco ideológico que, através da moral tradicionalista e do discurso religioso, legitima e naturaliza a ordem vigente. Para a esquerda, o desafio é reconstruir narrativas que desnaturalizem essas crenças, resgatando valores de solidariedade, justiça social e igualdade, mas traduzidos em linguagens acessíveis e emocionalmente mobilizadoras. Yuri Almeida é professor, estrategista político e especialista em campanhas eleitorais
Até quando Caetité vai pagar pela falta de planejamento da Embasa?
A população não suporta mais conviver com a insegurança hídrica, com a falta de transparência e com a sensação de abandono.
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Foto: Marcos Oliveira | Sudoeste Bahia
A Embasa volta a justificar a falta de abastecimento de água em Caetité com o mesmo argumento de sempre: quedas de tensão no fornecimento de energia elétrica. O problema, porém, está longe de ser novidade. Há anos a população convive com interrupções constantes, longos períodos sem água e explicações que se repetem como se fossem inevitáveis. A pergunta que não quer calar é simples: por que a Embasa nunca apresentou um plano B para situações que já se tornaram rotina?
É inadmissível que um município inteiro fique refém de um único sistema de captação e bombeamento, ainda mais quando alternativas já existiram e foram abandonadas. As barragens da Passagem da Pedra e Moita dos Porcos, que por décadas serviram como importantes fontes de abastecimento, foram desativadas e, mesmo quando cheias durante o período de chuvas, permanecem inutilizadas. Como explicar que estruturas públicas, mantidas com recursos da população, estejam simplesmente descartadas enquanto milhares de famílias passam dias sem água nas torneiras?
A Embasa também não pode ignorar o acúmulo de reclamações. A cada novo episódio de desabastecimento, cresce a sensação de descaso, de que a empresa opera sem transparência, sem planejamento e sem compromisso real com a população de Caetité. A alegação de que a Coelba é a responsável pelas quedas de energia não exime a Embasa de sua obrigação de garantir alternativas, reforçar sistemas, modernizar equipamentos e assegurar que o serviço essencial que presta não dependa de um único ponto de falha.
Se o problema é recorrente, a solução também deveria ser. Mas o que se vê é o contrário: anos passam, justificativas se repetem e a população continua sofrendo.
Diante desse cenário, não resta outra saída senão exigir que os órgãos fiscalizadores — especialmente o Ministério Público — sejam acionados pelo Executivo e pelo Legislativo municipal. É preciso investigar, cobrar responsabilidades e garantir que medidas concretas sejam tomadas. Caetité não pode continuar refém de promessas vazias e de uma gestão que parece incapaz de antecipar problemas que já são velhos conhecidos.
A população não suporta mais conviver com a insegurança hídrica, com a falta de transparência e com a sensação de abandono. Água é direito básico, não favor. E Caetité exige — e merece — respeito.
As mulheres encontraram o caminho para vencer a direita nas redes
Análise exclusiva do LabCaos revela: enquanto a direita aposta no volume, as deputadas de esquerda dominam a taxa de engajamento e ensinam o caminho das pedras para o campo progressista.
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Foto: Arquivo Pessoal | Yuri Almeida
Há anos, analistas políticos e marqueteiros repetem o mesmo mantra: "a direita domina as redes sociais, e a esquerda fala para as bolhas". Durante muito tempo, os dados corroboraram essa tese. No entanto, estudo realizado pelo LabCaos sobre a performance das deputadas federais em 2025 revela uma mudança tectônica no cenário digital brasileiro. Veja o estudo completo clicando aqui. Os dados são evidentes: se existe uma saída para a esquerda vencer o debate na ambiência digital, esse caminho está sendo pavimentado pelas mulheres. O estudo analisou o engajamento das 89 deputadas federais no Instagram entre janeiro e dezembro de 2025 e os números contam uma história que muitos insistem em ignorar: a hegemonia da direita está sendo desafiada pela eficiência das parlamentares progressistas. A primeira lição que os dados nos trazem é a diferença entre fazer barulho e gerar conexão. Se olharmos apenas para o volume bruto de interações, a direita ainda mostra força, com nomes como Bia Kicis acumulando quase 69 milhões de interações. É o famoso "canhão" de audiência. Porém, o jogo muda quando refinamos o olhar para a taxa de engajamento — a métrica que define quem realmente mobiliza sua base proporcionalmente. Das 10 deputadas com melhor taxa de engajamento, 7 são de esquerda. A líder absoluta, Jack Rocha (PT), atingiu 26,87% na taxa de engajamento. Para se ter uma ideia do abismo, isso é quase o triplo da taxa de deputadas bolsonaristas tradicionais como Bia Kicis, que tem 8,96%. Isso sinaliza que o campo progressista, através de suas mulheres, parou de panfletar digitalmente e começou a conversar. O "Fenômeno Erika Hilton" e a narrativa de combate: Se Jack Rocha domina na taxa de engajamento, Erika Hilton (PSOL) nos dá uma aula de expansão de base e mobilização. Ela foi a deputada que mais conquistou novos seguidores no período, somando quase 900 mil novos perfis. O segredo? Uma estratégia de comunicação agressiva e didática. A análise dos posts mostra que ela domina a técnica de rotulagem. Ao apelidar projetos adversários com nomes de alto impacto emocional — como "PEC da Bandidagem" — ela fura a bolha e pauta o debate. Mais do que isso, ela cria um senso de causalidade: atribui a queda de projetos da oposição à capacidade de "mobilizar as redes". O estudo do LabCaos também desmonta a ideia de que a esquerda não sabe lidar com a polarização. As mulheres encontraram o tom certo. As menções a Bolsonaro são massivamente negativas, focando na sua condenação pelo STF e críticas à obstrução do Congresso. Já Lula é trabalhado de forma majoritariamente positiva, associado a pautas pragmáticas como a isenção do Imposto de Renda e proteção social. Enquanto a direita aposta no medo, as mulheres de esquerda estão conseguindo engajar combinando o combate ao bolsonarismo com a defesa de direitos sociais concretos. As parlamentares da esquerda encontraram um caminho para pautar os debates e defender o Governo Lula com uma eficiência que falta a muitos homens da base governista. Elas entenderam que rede social exige emoção, combate e simplificação. O campo progressista, muitas vezes preso a discursos institucionais, deveria olhar menos para teorias antigas e aprender com a prática dessas deputadas. A esquerda pode vencer a direita nas redes? Pode. Mas os dados mostram que a liderança desse processo é feminina. Yuri Almeida é estrategista político, professor e especialista em campanhas eleitorais.
Como o desgaste de Bruno Reis fortalece Jerônimo e enfraquece ACM Neto
Maquiavel advertia que “não há nada mais difícil de empreender, nem de êxito mais duvidoso, do que a introdução de uma nova ordem de coisas”.
Por: Yuri Almeida
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Foto: Arquivo Pessoal
As pesquisas da AtlasIntel com a avaliação dos governadores e prefeitos das capitais brasileiras revelam um processo consistente de erosão do capital político do prefeito Bruno Reis, em Salvador, crescimento da avaliação positiva de Jerônimo Rodrigues, na Bahia, com implicações diretas para a campanha de ACM Neto nas eleições de 2026.
Na análise que fizemos no LabCaos destacamos um paradoxo: a avaliação do governador Jerônimo Rodrigues melhora na Bahia enquanto a gestão municipal de Salvador entra em desgaste, corroendo a imagem de eficiência que historicamente serviu de vitrine ao grupo de ACM Neto. Em termos maquiavelianos, trata-se de um príncipe local que perde o controle da fortuna (o contexto) ao mesmo tempo em que seu adversário amplia a virtù (capacidade de agir estrategicamente) no tabuleiro estadual.
Maquiavel advertia que “não há nada mais difícil de empreender, nem de êxito mais duvidoso, do que a introdução de uma nova ordem de coisas”. A queda de Bruno Reis no ranking nacional de prefeitos indica que a “ordem” de Salvador como vitrine administrativa da direita baiana entrou em xeque, abrindo espaço simbólico para a narrativa petista de que o ciclo mudou no estado.
Os dados da AtlasIntel mostram que Bruno Reis caiu de 3º para 10º lugar no ranking de aprovação de prefeitos de capitais entre 2024 e 2025, com a avaliação pessoal despencando de 79% para 56% em apenas um ano. Ao mesmo tempo, apenas 27% da população considera sua gestão ótima ou boa, enquanto 57% classificam como regular e 15% como ruim ou péssima, sinalizando um esvaziamento da aura de excelência administrativa que sustentava seu prestígio.
Pierre Bourdieu descreve o capital simbólico como a forma de crédito político que se apoia em reputação, confiança e reconhecimento social; ao perder sete posições no ranking e ver sua gestão estacionada na zona do “regular”, Bruno assiste à conversão de prestígio em vulnerabilidade. Em termos eleitorais, “regular” tende a ser terreno ambíguo, mas, em contexto de polarização e memória recente de alta aprovação, funciona como porta de entrada para a crítica e para a comparação desfavorável com o governo estadual.
Os cruzamentos demográficos da pesquisa revelam que a reprovação é maior entre mulheres, jovens, eleitores com maior escolaridade e segmentos de classe média – grupos centrais para a construção de narrativas de futuro e de justiça social na cidade. As mulheres, que concentram a experiência cotidiana dos serviços de saúde e educação, expressam maior insatisfação, enquanto a juventude “sem perspectiva na capital” concentra o maior volume de rejeição, indicando um déficit de projeto geracional na gestão.
Quanto maior o nível educacional, maior a rejeição ao prefeito, e a classe média – historicamente decisiva nas urnas em Salvador – também passa a rejeitá-lo, segundo a pesquisa. Se, como lembra Maquiavel, “o modo mais seguro de dominar uma cidade acostumada à liberdade é destruí-la ou habitá-la”, o afastamento gradual desses grupos sugere que a coalizão sociopolítica que sustentava o projeto de ACM Neto na capital está se esgarçando por dentro.
Efeito Jerônimo e o desgaste da vitrine de ACM Neto
Enquanto a posição de Bruno Reis declina, o governador Jerônimo Rodrigues sobe duas posições no ranking nacional de governadores da AtlasIntel e passa a ter gestão avaliada como ótima/boa por 40%, contra 27% de Bruno, criando um contraste público diretamente explorável na disputa de narrativas. O próprio relatório assinala que o “resultado catastrófico” de Bruno coloca em xeque o principal argumento de ACM Neto: a ideia de que a gestão de Salvador seria modelo para a Bahia, referência de boa governança frente aos governos petistas.
Ao analisarmos a série histórica das votação para o Governo da Bahia, nos últimos 20 anos, identificamos que os governadores do PT na Bahia costumam crescer na reeleição: Jaques Wagner e Rui Costa ampliaram seus percentuais de votos válidos em torno de 16 pontos, com Rui alcançando 75,5%, a maior votação da história baiana. Com base nessa média, a projeção do LabCaos indica possibilidade de o PT chegar a cerca de 68,75% dos votos válidos em 2026, caso o padrão se repita, reforçando a hipótese de consolidação do ciclo petista e de enfraquecimento da influência de Salvador como centro irradiador da oposição estadual.
Na leitura de Maquiavel, o governante prudente precisa antecipar tempestades políticas e agir quando “os males ainda são fáceis de curar, mas difíceis de reconhecer”. Os números da AtlasIntel funcionam como um diagnóstico antecipado: a queda acelerada de Bruno Reis, somada ao crescimento de Jerônimo Rodrigues, sinaliza que a frente liderada por ACM Neto entrou em zona de risco estrutural, não apenas conjuntural.
Para União Brasil, preservar Bruno Reis como principal fiador da narrativa de competência administrativa pode significar insistir em um “teto de vidro”: uma vez que o prefeito da capital baiano é o principal defensor e referência política de Neto, mas agora sem o respaldo de um capital popular robusto. Para o PT, ao contrário, o cenário oferece oportunidade de reconfigurar o imaginário político baiano: se Salvador deixa de ser vitrine da oposição, o governador passa a disputar também o terreno simbólico da capital, articulando políticas públicas e comunicação política capazes de capturar a insatisfação de juventude, mulheres e classe média com a gestão municipal.
Yuri Almeida é estrategista político, professor e especialista em campanhas eleitorais
O uso da Inteligência Artificial no Marketing Político
A aplicação de plataformas baseadas em IA, como o Fanpage Karma e o GerminAI, permite a coleta e interpretação de dados de diferentes redes sociais.
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Foto: Arquivo Pessoal | Yuri Almeida
O cenário político contemporâneo é indissociável das dinâmicas digitais. Nesse contexto de transformações tecnológicas aceleradas, a Inteligência Artificial (IA) emerge não apenas como uma tendência, mas como uma ferramenta indispensável na análise de dados aplicada ao marketing político. Sua capacidade de processar e interpretar volumes massivos de informações — o chamado Big Data — está redefinindo o diagnóstico, o planejamento estratégico e a monitoramento das campanhas eleitorais. A IA tem se tornado um vetor fundamental para aprimorar a compreensão do comportamento do eleitorado digital e das complexas dinâmicas de engajamento político nas redes sociais. A aplicação de plataformas baseadas em IA, como o Fanpage Karma e o GerminAI, permite a coleta e interpretação de dados de diferentes redes sociais, gerando indicadores objetivos cruciais para a performance das candidaturas. Entre as métricas essenciais, destacam-se a base de seguidores, o crescimento absoluto, o volume de interações e, sobretudo, a taxa de engajamento — indicador que traduz a relevância e a ressonância do conteúdo perante a audiência. A eficácia estratégica não se resume a um único número. É imperativa uma análise integrada das métricas. Mais do que a quantidade, a qualidade da interação — o sentimento e a receptividade do público — é a verdadeira bússola das ações de comunicação política. O conteúdo qualitativo atua como um termômetro da aceitação das mensagens e orienta ajustes finos na narrativa das campanhas. A IA também se destaca na segmentação de conteúdos e no benchmarking das postagens mais eficazes. A análise das publicações de maior sucesso entre os candidatos permite identificar temas, timings e estilos comunicativos que geram conexão real com nichos eleitorais específicos. Essa inteligência orienta a produção de roteiros e publicações, otimizando o investimento de tempo e recursos. Além da otimização em tempo real, a IA abre caminho para planejamentos e projeções eleitorais, além o uso de modelos que combinam técnicas estatísticas com bancos de dados históricos, como os do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para estimar desempenhos eleitorais futuros. Modelos matemáticos, por mais sofisticados que sejam, não capturam integralmente as variáveis políticas, sociais e emocionais que moldam o comportamento do voto. O uso efetivo dessas tecnologias exige mais do que o simples acesso às ferramentas. É necessária competência técnica, domínio analítico e disciplina no diálogo com os sistemas de IA. O refinamento dos “prompts” — as instruções dadas à inteligência artificial — é um processo iterativo que gera análises cada vez mais robustas e personalizadas, ajustadas às particularidades de cada campanha. A tecnologia é uma poderosa aliada, mas deve operar dentro de parâmetros inegociáveis: evitar a reprodução acrítica de informações, assegurar autoria e transparência dos conteúdos e, sobretudo, preservar o senso crítico humano diante das sugestões automatizadas. Em suma, a Inteligência Artificial consolida-se como a espinha dorsal da análise de desempenho e da formulação estratégica no marketing político contemporâneo. Sua aplicação amplia a capacidade de leitura do sentimento eleitoral e de compreensão das dinâmicas sociais. No entanto, seu sucesso depende da qualificação técnica dos profissionais, do entendimento profundo do contexto político-social e de um compromisso ético que garanta a autenticidade e a legitimidade do processo democrático na era digital.
Yuri Almeida é estrategista político, professor e especialista em marketing eleitoral.
Desalinhamento democrático: Congresso é visto como distante, pouco transparente e indiferente às prioridades sociais
Um Congresso avaliado como problema — não como solução.
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A 166ª rodada da Pesquisa CNT de Opinião (novembro/2025) revela um paradoxo que define a crise de representação brasileira: enquanto 56,3% dos eleitores declaram intenção de votar em novos nomes para o Congresso em 2026, quase metade da população (42,9%) sequer lembra em quem votou em 2022. É a combinação explosiva entre desejo de mudança e memória curta — um fenômeno que garante sobrevida aos atuais parlamentares, apesar da rejeição generalizada. Um Congresso avaliado como problema — não como solução. A imagem do Congresso Nacional permanece em terreno crítico. A maioria dos entrevistados classifica o desempenho como Regular ou Negativo, consolidando um desgaste estrutural. Avaliação Negativa (Ruim + Péssima): 37,0%. Avaliação Positiva: apenas 17,0%. Mas o dado mais alarmante não está nas notas, e sim na percepção de impacto: 40,8% afirmam que o Congresso atrapalha o país, enquanto 32,4% enxergam sua atuação como indiferente — ou seja, irrelevante. A crise não é apenas de imagem, é de utilidade pública. Descolamento total das prioridades do povo: A pesquisa aponta um diagnóstico cristalino: o eleitor não sabe para quem o Congresso trabalha, mas tem certeza de que não é para ele. Segundo o estudo: 49,8% acreditam que o Legislativo defende Políticos/Partidos; 32,1% — Empresários e setores organizados; Apenas 16,4% — o povo em geral. E, curiosamente, o Congresso é visto como defensor do Governo Federal (19,6%) mais do que da sociedade. O retrato é de um Parlamento fechado sobre si mesmo. Democracia sem escuta e sem transparência. Dois indicadores aprofundam o distanciamento: A opinião pública influencia apenas 9,0% das decisões do Congresso: A atuação é percebida como Nada Transparente por 38,6% dos entrevistados; só 10,5% a consideram transparente. Em uma democracia representativa, quando o representante não escuta e não explica, a confiança colapsa — e foi exatamente isso que aconteceu.O país quer mudar — mas não sabe quem deve sair. O clima de renovação é evidente: 56,3% querem novos nomes para deputado e senador; No entanto, a renovação eleitoral esbarra em um fator decisivo: a ausência de memória e acompanhamento do mandato. 42,9% não lembram em quem votaram; 15,1% sequer votou. Apenas 15,1% acompanha o parlamentar em quem votou. Sem fiscalização, não há punição — e sem memória, não há renovação plena. É a amnésia eleitoral que vira capital político. Como o eleitor escolhe seu voto? Política ainda é feita no território. Os critérios de escolha revelam menos ideologia e mais pragmatismo: Histórico de trabalho e entregas na região: 39,4%; Integridade/ética: 19,9%; Voto ideológico: 10,4%; Defesa de causas específicas: 5,8%. Ou seja: quem tem mandato, obra entregue e comunicação ativa larga na frente — especialmente em um cenário em que o eleitor esquece, mas reconhece quando vê. Estratos que agravam o desgaste: O estudo também mostra que a insatisfação é mais intensa entre: homens, população mais velha, pessoas com maior renda e escolaridade. Regionalmente, o Sul lidera a avaliação negativa, enquanto o Nordeste apresenta índices mais positivos — reforçando diferenças políticas já conhecidas. O que esta pesquisa diz sobre 2026: O país vive um desencanto profundo com o Congresso — porém não necessariamente com seus integrantes. O eleitor quer mudar “o sistema”, mas não lembra quem o compõe. A lição estratégica é direta: Mandatos que comunicam sobrevivem; A renovação será parcial, não estrutural. A disputa será ganha pelo trabalho visível, não pelo discurso abstrato. Em síntese: o Brasil quer virar a página, mas ainda não decidiu quem deve sair do livro. A crise de representação não nasce apenas da política — nasce também da memória curta do eleitorado e da ausência de vínculo entre voto e cobrança. Enquanto o Congresso permanecer distante, opaco e autodefensivo, a democracia seguirá mancando entre rejeição e repetição. Yuri Almeida é professor, estrategista político e especialista em marketing eleitoral.
Romeu Zema e o dilema da viabilidade liberal em 2026
Com aprovação de 63,6% de seu governo, segundo o Paraná Pesquisas (08/10), Zema figura entre os governadores mais bem avaliados do país.
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A pré-candidatura de Romeu Zema (Novo) à Presidência da República marca um novo capítulo na tentativa de consolidação de um projeto liberal no Brasil. O governador de Minas Gerais, que despontou como outsider em 2018 e consolidou sua reeleição em 2022 com mais de 56% dos votos, enfrenta agora o desafio de transformar popularidade regional em competitividade nacional.
Com aprovação de 63,6% de seu governo, segundo o Paraná Pesquisas (08/10), Zema figura entre os governadores mais bem avaliados do país. No entanto, seu capital político permanece concentrado em Minas — o segundo maior colégio eleitoral do Brasil e considerado o “espelho do país”. Desde 1989, quem vence em Minas, vence o Brasil (com exceção de 2014). Ainda assim, Zema encontra dificuldades para romper as barreiras estaduais e nacionalizar sua imagem.
Pesquisas recentes da Quaest (09/10) indicam que, num cenário sem Bolsonaro, Zema aparece com apenas 4% das intenções de voto, atrás de Tarcísio de Freitas (18%) e Ciro Gomes (12%). Em confronto direto com o presidente Lula, perde com margem de 47% a 32%. A estagnação reflete um dilema estrutural: embora possua um discurso técnico e moderado, Zema ainda é visto pelo eleitorado bolsonarista como “liberal demais” e “pouco combativo”.
No campo digital, o governador demonstra força e consistência, mas não hegemonia. Nos últimos dois meses, somou 122 publicações no Instagram, alcançando 2,9 milhões de interações e 46 mil novos seguidores — números expressivos, porém inferiores aos de Ratinho Jr. e Tarcísio de Freitas, que lideram tanto em crescimento quanto em taxa de engajamento. As postagens com melhor desempenho de Zema são aquelas que tratam de ações em Minas e críticas diretas ao governo Lula, evidenciando que seu público responde melhor quando ele adota um tom de enfrentamento político.
As menções positivas a Zema nas redes sociais (42,28%) superam as negativas (16,54%), mas o índice de neutralidade ainda é elevado, o que indica baixa polarização e, consequentemente, menor capacidade de mobilizar paixões políticas — ativo essencial em tempos de comunicação afetiva e identitária.
No cenário eleitoral, a projeção é de baixa competitividade em 2026, com chances de vitória estimadas entre 10% e 15%. Zema dependeria de uma profunda desidratação de Bolsonaro e da ausência de Tarcísio para ocupar o espaço da direita. Seu melhor desempenho potencial está em uma composição de chapa com o governador paulista, formando uma aliança SP–MG que representa quase 35% do eleitorado nacional. Nesse arranjo, as projeções indicam uma disputa acirrada com Lula no segundo turno (46% a 42%), caso o apoio bolsonarista se mantenha.
A hipótese de uma chapa Tarcísio–Zema oferece vantagens táticas e simbólicas. Tarcísio mobiliza o eleitorado popular e o bolsonarismo orgânico; Zema agrega credibilidade econômica, serenidade institucional e discurso técnico. No entanto, o risco político é claro: tornar-se um “vice decorativo” e perder protagonismo imediato — ainda que tal posição o projete para 2030 como sucessor natural de uma eventual continuidade liberal-conservadora.
Em síntese, Romeu Zema enfrenta o dilema clássico dos projetos liberais no Brasil: alta capacidade de gestão, baixo apelo de massa. Sua candidatura própria em 2026 tende a reforçar sua marca como líder racional, mas de pouca viabilidade eleitoral imediata. Já uma aliança como vice de Tarcísio pode colocá-lo no tabuleiro nacional com reais chances de vitória, ainda que ao custo de sua autonomia.
O que está em jogo, portanto, não é apenas uma eleição, mas o futuro do liberalismo político no Brasil — entre o cálculo racional e o pragmatismo eleitoral.
Yuri Almeida é estrategista político, professor e especialista em marketing eleitoral
O poder do discurso político
Pierre Bourdieu nos lembra que as palavras não têm força por si mesmas: seu impacto depende do capital simbólico de quem as pronuncia.
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O discurso político ocupa um lugar central na vida pública. Não se trata apenas de palavras bonitas ou slogans de campanha, mas de um instrumento de poder capaz de moldar percepções, definir identidades coletivas. Mouffeilizar ações. É pela palavra que lideranças legitimam sua posição, constroem consensos, enfrentam adversários e orientam a imaginação social.
Pierre Bourdieu nos lembra que as palavras não têm força por si mesmas: seu impacto depende do capital simbólico de quem as pronuncia. Um presidente da República, um líder oposicionista ou um outsider sem cargo formal podem dizer a mesma frase e, ainda assim, produzir efeitos distintos. Isso acontece porque cada um ocupa uma posição social e política que confere diferentes níveis de legitimidade. Como também ensinou Max Weber, a autoridade pode ser tradicional, carismática ou racional-legal — e cada tipo imprime uma forma própria de força à fala.
Mas o discurso nunca se sustenta apenas em quem fala: ele se organiza em torno de quem escuta. Desde Aristóteles sabemos que a persuasão envolve a combinação entre ethos (credibilidade), pathos (emoção) e logos (razão). O público, no entanto, não é uma massa homogênea. Nancy Fraser mostrou que a sociedade é formada por públicos e contrapúblicos, em permanente disputa. Isso significa que o discurso político precisa segmentar, ativar valores diversos e falar em registros distintos para diferentes grupos. Uma mesma fala pode gerar entusiasmo em apoiadores, irritação em opositores e indiferença em indecisos.
Outro elemento decisivo é o enquadramento do debate. George Lakoff demonstrou que a política não é apenas uma luta de argumentos, mas de frames, ou molduras cognitivas, que orientam como as pessoas interpretam os fatos. Chamar um imposto de “tarifa de solidariedade” ou de “confisco” muda radicalmente sua percepção. Nesse sentido, Antonio Gramsci destacou que a luta política é também uma luta pela hegemonia cultural: o que importa não é apenas governar, mas conseguir que certas ideias sejam aceitas como senso comum. Chantal Mouffe aprofunda essa reflexão ao mostrar que a política é sempre agonística, isto é, atravessada por conflitos legítimos em torno de significados.
O discurso, contudo, não existe no vácuo: ele se ancora em um contexto simbólico. Murray Edelman mostrou que a política opera por meio de símbolos e simplificações que organizam a experiência pública. Bandeiras, hinos, metáforas de guerra ou de família não são apenas recursos estilísticos: são formas de dar sentido a realidades complexas. Da mesma forma, Benedict Anderson demonstrou que até a própria ideia de nação é uma “comunidade imaginada”, sustentada por narrativas e memórias compartilhadas.
A importância do discurso político, portanto, vai muito além da retórica superficial. Ele é um ato performativo: produz efeitos no mundo. Não apenas descreve a realidade, mas a constitui. Define quem pode falar, quem será ouvido e quais interpretações prevalecerão. Em contextos de crise, protesto ou polarização, a palavra pode acalmar tensões ou incendiá-las; pode abrir espaço para a negociação ou fechar portas para o diálogo.
Em resumo, compreender a política contemporânea exige compreender o poder das palavras. Elas são armas e pontes, instrumentos de disputa e de construção coletiva. Como já indicava Aristóteles, a política é inseparável da retórica — e, no século XXI, continua sendo pela força do discurso que se ganham legitimidades, se moldam imaginários e se definem os rumos de uma comunidade política.
Yuri Almeida é professor, estrategista político e especialista em marketing eleitoral.
Como as redes e a rua influenciaram a política brasileira
Como diria Maquiavel, o príncipe que não domina os instrumentos de poder corre o risco de ser subjugado
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Os protestos contra a PEC da Blindagem e o movimento contrário à anistia, que tomaram as ruas e as redes brasileiras nesta semana, não podem ser entendidos apenas como reações espontâneas de cidadania. São, antes, expressões de uma política que se reconfigura sob o signo da tecnologia, da informação e do sentimento coletivo. A internet, à luz de Marx ao analisar as relações de produção e de poder em cada nova etapa da sociedade, não é mero instrumento: é campo de disputa e arena de hegemonia.
Philip N. Howard (2019) nos lembra que a política contemporânea é profundamente mediada por algoritmos e fluxos de dados. O alcance de uma mobilização não se mede apenas pela presença física, mas pela capacidade de navegar e dominar as arquiteturas digitais que regulam a atenção. No Brasil desta semana, hashtags, transmissões ao vivo e grupos de WhatsApp não foram coadjuvantes; foram ferramentas de luta, disputando espaço com bots, desinformação e campanhas de manipulação.
Como diria Maquiavel, o príncipe que não domina os instrumentos de poder corre o risco de ser subjugado; na política digital, dominar algoritmos e narrativas é a mesma coisa. A visibilidade, a amplificação, a capacidade de viralizar são armas modernas: quem não as controla, permanece à margem do debate público.
Zizi Papacharissi (2015) oferece outro ângulo: a política não se move apenas por dados, mas por afetos. O que circula nas redes não é informação neutra, mas indignação, esperança, medo e solidariedade. A esfera pública digital transforma indignação em ação, e cada post, cada vídeo ou hashtag funciona como ritual de pertencimento. O protesto contra a anistia não é apenas uma disputa legal ou política: é a encenação de uma ética coletiva, um clamor contra a injustiça, que pulsa e se espalha em cada tela.
Se combinarmos Howard e Papacharissi, percebemos que os protestos brasileiros são fenômenos híbridos:
1. Infraestrutura e poder: a política digital é marcada por algoritmos que decidem visibilidade, alcance e influência.
2. Afeto e engajamento: o mobilizador central é o sentimento coletivo, que transforma cidadãos comuns em atores políticos performativos.
Essa convergência revela algo que Bobbio enfatizaria: o poder não é só institucional, mas relacional. A PEC da Blindagem e a anistia não são apenas temas de lei; são testes da capacidade da sociedade de se organizar e resistir, de disputar narrativas, atenção e sentidos de justiça.
Em última análise, os protestos desta semana demonstram que a política não se esgota na rua nem na tela: ela existe na intersecção de ambas, na tensão entre estrutura e emoção, entre tecnologia e ética, entre manipulação e consciência coletiva. O futuro da democracia brasileira se joga nesse espaço híbrido — e é lá que se medirá a força real do engajamento cívico mediado pela tecnologia e redes.
Yuri Almeida é professor, estrategista político e especialista em marketing eleitoral.
Tarcísio de Freitas tem o melhor engajamento entre os candidatos da direita
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, apresenta taxas de engajamento muito superiores às de seus pares.
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As redes sociais consolidaram-se, no cenário político contemporâneo, como arenas privilegiadas de disputa simbólica e de formação de opinião. O poder comunicativo é elemento estruturante das sociedades em rede, sendo capaz de moldar comportamentos coletivos e influenciar processos políticos. As interações, aparentemente pequenas, em ambientes digitais, podem desencadear ondas de ação coletiva de larga escala.
A partir dessa perspectiva, o desempenho digital dos governadores Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Ratinho Jr. oferece elementos para compreender as dinâmicas de força que se articulam em torno da sucessão presidencial de 2026 no campo da direita, após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Estudo do Lab Caos (veja completo aqui) revela uma assimetria significativa entre os candidatos analisados. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, apresenta taxas de engajamento muito superiores às de seus pares. Entre os principais indicadores destacam-se:
Taxa de interações quase dez vezes maior em relação aos demais.
Número de comentários cinco vezes superior por publicação.
Base de seguidores mais ampla do que a soma dos outros presidenciáveis do campo da direita.
Esses dados não expressam apenas visibilidade quantitativa. Eles revelam a formação de uma comunidade discursiva, conceito trabalhado por Zizi Papacharissi (2015), em que a audiência não se limita a consumir passivamente o conteúdo, mas participa ativamente da conversação política. O fenômeno reforça o efeito de retroalimentação algorítmica, no qual maior engajamento gera maior alcance, consolidando o protagonismo digital de Tarcísio.
Zema, Caiado e Ratinho Jr.: relevância regional e limites nacionais
Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Ratinho Jr., embora mantenham relevância em seus respectivos estados, apresentam desempenhos digitais bem mais restritos. Seus melhores conteúdos alcançam momentos de destaque, mas não configuram uma narrativa consistente em escala nacional. Aqui cabe retomar Pierre Bourdieu (1989), para quem o capital político é sempre relacional e depende da capacidade de conversão em diferentes arenas. O capital regional desses governadores não se traduziu, até o momento, em um capital digital capaz de projetá-los como presidenciáveis de alcance amplo.
Implicações políticas e teóricas
Do ponto de vista político, a disparidade observada sugere uma tendência de centralização em torno de Tarcísio de Freitas como figura capaz de aglutinar setores da direita, sobretudo diante do enfraquecimento jurídico e eleitoral de Jair Bolsonaro. Paolo Gerbaudo (2018) enfatiza que os partidos e movimentos políticos na era digital reorganizam-se a partir da interação constante com suas bases em plataformas online. Nesse sentido, o domínio de Tarcísio nas redes sociais não é apenas reflexo de sua popularidade “offline”, mas constitui um recurso de poder autônomo, capaz de reconfigurar hierarquias no campo político da direita.
A análise evidencia que a disputa presidencial de 2026 não se restringirá às arenas tradicionais da política, como alianças partidárias e tempo de televisão. Como observa Castells (2009), o poder político depende crescentemente da capacidade de controlar fluxos de comunicação em rede. No caso brasileiro, o desempenho digital de Tarcísio de Freitas o posiciona como ator central na reorganização da direita, antecipando uma eleição em que a comunicação digital se configura não como instrumento auxiliar, mas como campo de batalha decisivo.
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Bate-boca na Câmara de Caetité expõe desgaste do debate político e desrespeito ao eleitor
Discussão entre vereadores durante sessão escancara desgaste do debate político e afasta o foco das demandas da população.
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A sessão ordinária da última segunda-feira (15), na Câmara Municipal de Caetité, mais uma vez revelou um cenário que envergonha a política local. O bate-boca entre os vereadores Arual Rachid Fernandes Santos (PCdoB) e Dinaldo Soares Silva Santos (PDT), o Naldinho, extrapolou o campo das ideias e transformou o plenário em palco de ofensas pessoais, acusações e ameaças veladas. Arual acusou o colega de constantemente interromper e debochar de suas falas desde o início do mandato, afirmando que, se há divergência pessoal, que fosse resolvida “lá fora” e não no espaço destinado ao debate democrático. Naldinho, por sua vez, rebateu dizendo que não se deixará intimidar e classificou a postura do adversário como “baixa”. A troca de farpas só foi contida após a intervenção do presidente da Casa, Mário Rebouças.O episódio não ficou restrito às paredes da Câmara. O vídeo do bate-boca rapidamente ganhou as redes sociais, repercutindo entre eleitores que criticaram a postura dos parlamentares.Esse episódio revela, mais uma vez, como parte dos representantes eleitos parece esquecer a verdadeira função de um mandato parlamentar: discutir, propor e fiscalizar políticas públicas que impactem diretamente a vida da população. O plenário não é ringue, tampouco espaço para disputas pessoais. O eleitor que acompanha de casa espera soluções para problemas concretos, como saúde, educação, infraestrutura e geração de emprego — não um espetáculo de vaidades. Infelizmente, quando vereadores deixam de lado o debate qualificado para mergulhar em picuinhas, o maior prejudicado é o povo. A Câmara, que deveria ser um espaço de construção coletiva, se transforma em vitrine de egos e ressentimentos. Esse comportamento não só afasta o cidadão da política como mina a credibilidade da instituição.Em vez de se engalfinharem em discussões vazias, os parlamentares de Caetité deveriam dar o exemplo de civilidade, maturidade e compromisso público. O mandato não é propriedade particular, mas um instrumento concedido pelo povo. Transformá-lo em palco de ataques pessoais é desrespeitar justamente quem os colocou ali.
Unacon de Caetité: uma crise que transcende gestões
Disputa política e omissão institucional colocam em risco atendimento oncológico de dezenas de municípios do sudoeste baiano
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Foto: Divulgação | Sesab
A definição de uma nova gestora para a Unacon de Caetité, anunciada nesta quinta-feira (4) pela Prefeitura, representa mais uma tentativa de reorganizar um serviço essencial que, nos últimos meses, tornou-se símbolo de instabilidade, disputas políticas e falhas administrativas. Longe de ser um problema exclusivamente local, a situação escancara a falta de compromisso dos governos municipal e estadual com a saúde pública da região. A Unacon, instalada no Hospital Municipal Dr. Ricardo de Tadeu Ladeia, oferece serviços de alta complexidade em oncologia, com consultas, exames, cirurgias e quimioterapia, e atende cerca de 45 municípios do sudoeste da Bahia. É, portanto, uma referência regional, responsável por tratar milhares de pacientes em situação de vulnerabilidade. No entanto, a unidade tem enfrentado meses de incertezas: atrasos de repasses, interrupções nos tratamentos, denúncias de má gestão e um vaivém de decisões judiciais e administrativas que comprometem a continuidade e a qualidade do atendimento.A troca de gestoras, longe de ser uma solução definitiva, evidencia o despreparo das autoridades em lidar com o que deveria ser prioridade absoluta. A Prefeitura de Caetité, ao longo do último ano, demonstrou fragilidade ao tentar reassumir a gestão sem o devido planejamento e respaldo jurídico. Já o Governo do Estado da Bahia, embora tenha participado da implantação da unidade e promovido fiscalizações pontuais, tem se mantido distante da resolução prática da crise, falhando em garantir estabilidade financeira e suporte técnico consistente. A mudança de gestora anunciada agora precisa ser mais do que um movimento político. É fundamental que a nova administração venha acompanhada de transparência, metas definidas e fiscalização ativa. A população do sudoeste baiano não pode mais ser refém da burocracia nem do uso político da saúde pública. Enquanto os governantes discutem responsabilidades, pacientes esperam por tratamentos que não podem ser adiados.A crise da Unacon de Caetité é o reflexo de um sistema que ainda privilegia o jogo político em vez do compromisso com a vida. Para reverter esse cenário, é preciso coragem, seriedade e, acima de tudo, vontade real de governar para as pessoas — e não para os palanques.
Caos em Lagoa Real: Ex-prefeito abandona município e servidor assume entrega da Prefeitura
A transição de governo é um momento crucial para garantir que a nova gestão possa iniciar seus trabalhos de forma organizada, algo que foi completamente ignorado pelo ex-prefeito
Por: Redação Sudoeste Bahia
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Foto: Leitor Sudoeste Bahia | Via WhatsApp
- A situação enfrentada por Lagoa Real durante a transição de governo expôs uma lamentável realidade: o abandono do município pelo ex-prefeito Pedro Cardoso. Após a derrota do candidato apoiado por ele nas últimas eleições de 2024, o ex-gestor foi acusado de deixar a cidade em completo estado de desordem administrativa, um reflexo do desrespeito à população que confiou na sua liderança por quatro anos. Um dos episódios mais emblemáticos dessa transição caótica foi o ato do servidor municipal Lafaiete, que nesta quarta-feira (01), assumiu a responsabilidade de entregar as chaves da sede da Prefeitura e de outros órgãos públicos. A tarefa, que deveria ser uma obrigação do ex-prefeito, foi realizada por Lafaiete em um esforço para assegurar a continuidade dos serviços públicos e evitar prejuízos maiores ao município. Denúncias de abandono e sucateamento, amplamente divulgadas pela imprensa local e evidenciadas em vídeos, mostram uma Lagoa Real devastada pela falta de planejamento e responsabilidade no encerramento do mandato de Pedro Cardoso. Equipamentos públicos sucateados, estruturas em péssimo estado e uma aparente desorganização generalizada marcaram o fim de sua gestão. Ao deixar de cumprir com suas obrigações, Pedro Cardoso não apenas negligenciou a transição administrativa, como também demonstrou um profundo desrespeito à democracia e aos cidadãos de Lagoa Real. A transição de governo é um momento crucial para garantir que a nova gestão possa iniciar seus trabalhos de forma organizada, algo que foi completamente ignorado pelo ex-prefeito. Lafaiete, ao assumir um papel que não era seu, simboliza o compromisso que deveria partir dos líderes eleitos. Sua atitude contrasta fortemente com a conduta do ex-prefeito, destacando o valor do serviço público responsável e dedicado, mesmo diante do caos.
Violência entre jovens: Reflexão urgente sobre educação, família e segurança
Os casos de agressão também são um reflexo da crise de valores e perspectivas que muitos jovens enfrentam hoje
Por: Redação Sudoeste Bahia
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Foto: Reprodução | Redes Sociais
- Os recentes episódios de agressão em Caetité e Guanambi, envolvendo jovens e adolescentes, expõem questões preocupantes sobre o papel da escola, da família e da sociedade na formação da juventude. Em Caetité, um estudante foi violentamente atacado próximo ao Ginásio de Esportes, enquanto em Guanambi um adolescente autista foi alvo de violência física por colegas dentro de uma escola. Esses casos, além de alarmantes, nos convidam a refletir sobre a necessidade de ações imediatas para proteger e orientar nossos jovens.
A urgência de rondas escolares
A presença ostensiva de rondas escolares é uma medida que poderia prevenir situações como essas. Com patrulhamento regular nas imediações das instituições de ensino, seria possível inibir a ação de agressores e promover um ambiente mais seguro para os estudantes. No entanto, essa solução não pode ser isolada: o reforço da segurança precisa vir acompanhado de programas educativos que abordem o respeito mútuo, a inclusão e a empatia, valores que parecem cada vez mais negligenciados.
A segurança nas escolas não é apenas um problema das autoridades, mas uma responsabilidade coletiva. Cabe aos gestores municipais e estaduais fortalecerem políticas públicas que incluam equipes de proteção escolar bem preparadas, além de promoverem uma maior integração entre as comunidades escolares e os órgãos de segurança pública.
O papel da escola e da família
Esses episódios também revelam a fragilidade do diálogo entre a escola e as famílias. A educação, que deveria ser o espaço de convivência e aprendizado, tem se tornado palco de conflitos que muitas vezes começam fora dos muros escolares. Isso nos leva a questionar: o quanto a escola e os pais estão preparados para lidar com os desafios desta geração?
É imprescindível que as escolas invistam em equipes multidisciplinares, compostas por psicólogos, assistentes sociais e pedagogos, para identificar e tratar conflitos antes que eles resultem em violência. Paralelamente, os pais precisam estar mais atentos ao comportamento de seus filhos, promovendo um ambiente de diálogo e apoio em casa.
O futuro dos jovens: O que estamos oferecendo?
Os casos de agressão também são um reflexo da crise de valores e perspectivas que muitos jovens enfrentam hoje. Em uma sociedade cada vez mais conectada, mas emocionalmente desconectada, é essencial que instituições, como escola e família, ofereçam não apenas educação formal, mas também exemplos de cidadania, solidariedade e ética.
O futuro desta geração depende diretamente das escolhas e ações que tomarmos agora. Proteger nossos jovens não é apenas garantir sua integridade física, mas também oferecer ferramentas para que eles construam relações saudáveis e respeitosas. Essa é uma missão que exige a união de esforços entre governo, famílias, escolas e toda a sociedade. Não podemos aceitar que a violência seja normalizada entre nossos jovens; precisamos agir, e agir rápido.
A maior vitória nas urnas de Caetité: o recado do eleitorado e a consolidação de Valtécio Aguiar
Com essa vitória histórica, Valtécio supera figuras políticas que antes pareciam imbatíveis em Caetité
Por: Redação Sudoeste Bahia
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Foto: Reprodução | Mozana Dantas
- As urnas de Caetité falaram alto nas eleições municipais de 2024, e a mensagem enviada pelo eleitorado não poderia ser mais clara. Valtécio Aguiar (PDT) foi reeleito com a maior vantagem de votos da história do município, consolidando-se como a maior liderança política de Caetité. Com 64,68% dos votos, totalizando 21.835 eleitores a seu favor, a vitória de Valtécio não foi apenas um triunfo eleitoral, mas um marco que redefine o cenário político local.
O adversário mais próximo, Zé Barreira (PCdoB), ficou em segundo lugar com 33,35% dos votos, ou seja, 11.257 votos, uma diferença esmagadora de mais de 10 mil votos. Já Wanderson Pimenta (PSOL), com apenas 1,98% dos votos (667 eleitores), reforçou que a disputa foi essencialmente polarizada entre as duas principais lideranças. Esse resultado deixa claro que o eleitorado de Caetité optou pela continuidade, pela confiança e pelo reconhecimento do trabalho realizado durante o primeiro mandato de Valtécio.
Mas o que essa vitória nas urnas realmente significa? As urnas falam, e é essencial compreender essa mensagem. O eleitor de Caetité, ao votar maciçamente em Valtécio, indicou sua aprovação ao governo atual e rejeitou modelos antigos de liderança que não conseguiram se adaptar às novas demandas da população. O resultado expressivo não apenas reafirma o apoio ao trabalho já desenvolvido, mas também reflete um desejo por renovação e um afastamento de antigas lideranças que, outrora, dominaram a política local.
Para a oposição, o momento pede uma profunda reflexão. Diante de uma derrota tão contundente, é evidente que o eleitorado de Caetité se desconectou de suas propostas e, em grande parte, rejeitou a visão de governo apresentada. Mais do que uma simples derrota nas urnas, esse resultado expõe a necessidade urgente de reorganização, de apresentar novas lideranças e, principalmente, de ouvir o que a população está dizendo com clareza: há um desejo de mudança e uma preferência por quem entrega resultados práticos, não apenas promessas.
Com essa vitória histórica, Valtécio supera figuras políticas que antes pareciam imbatíveis em Caetité, como Zé Barreira, um nome consolidado e respeitado na política local. Ao conquistar essa margem esmagadora de votos, Valtécio não apenas assegura seu segundo mandato, mas também marca uma mudança de rota na política do município, firmando-se como a principal liderança da atualidade.
Essa eleição vai além dos números. Ela revela que os eleitores estão atentos, conscientes e prontos para apoiar lideranças que trazem resultados, modernidade e comprometimento. O recado das urnas é claro: a continuidade de um trabalho bem-sucedido foi mais importante do que o retorno ao passado. As urnas, portanto, não deixam dúvidas de que Valtécio Aguiar, ao alcançar esse resultado, entra para a história política de Caetité com força, determinação e, acima de tudo, com o apoio legítimo de uma expressiva maioria da população.
A oposição, por sua vez, deve reconhecer esse recado. É hora de repensar estratégias, renovar discursos e, sobretudo, reconquistar a confiança de uma população que claramente clama por eficiência, inovação e comprometimento real com o futuro da cidade. Caso contrário, corre o risco de continuar sendo uma mera figura decorativa no cenário político, enquanto Valtécio Aguiar consolida seu protagonismo.
A vitória de ontem não é apenas um feito eleitoral; é uma mudança no curso da política de Caetité, onde a consolidação de Valtécio Aguiar como o maior líder político do município simboliza um novo capítulo, repleto de desafios, mas também de oportunidades para um futuro ainda mais próspero e inclusivo.
Fake News nas eleições municipais: uma ameaça à democracia
Nas eleições municipais, onde o contato entre candidatos e eleitores tende a ser mais próximo, as fake news têm o poder de distorcer realidades e influenciar a escolha do voto de maneira perigosa.
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Foto: Divulgação | CNJ
- Com a aproximação das eleições municipais, o cenário político se torna cada vez mais conturbado, e um fenômeno alarmante ganha força: o surgimento de inúmeras fake news. Essas informações falsas, fabricadas e muitas vezes compartilhadas com a intenção de manipular a opinião pública, representam uma verdadeira ameaça ao processo democrático. Em tempos de redes sociais e comunicação instantânea, as fake news se espalham como fogo em palha, confundindo eleitores e criando um ambiente de desinformação.
Nas eleições municipais, onde o contato entre candidatos e eleitores tende a ser mais próximo, as fake news têm o poder de distorcer realidades e influenciar a escolha do voto de maneira perigosa. A proximidade entre os candidatos e suas bases eleitorais facilita a disseminação dessas informações, muitas vezes promovidas por grupos que buscam apenas desacreditar adversários ou favorecer seus próprios interesses. Nesse contexto, a verdade é frequentemente deixada de lado, substituída por narrativas enganosas que podem determinar os rumos de uma campanha.
O impacto das fake news é devastador. Elas podem destruir reputações em minutos, minar a credibilidade de boas propostas e confundir eleitores que, em vez de votarem baseados em fatos e na avaliação real dos candidatos, acabam sendo influenciados por boatos sem fundamento. O resultado? Eleições manipuladas, onde o voto não reflete a escolha consciente do eleitor, mas sim uma reação a uma mentira cuidadosamente planejada.
O grande perigo das fake news é que, ao serem compartilhadas, muitas vezes não se verifica sua veracidade. Em poucos cliques, uma mentira pode se transformar em "verdade" na cabeça de milhares de pessoas, criando uma falsa percepção sobre candidatos, partidos ou propostas. A consequência disso é o enfraquecimento da democracia, pois a escolha do eleitor passa a ser moldada pela desinformação.
É fundamental que, como eleitores, tenhamos a responsabilidade de verificar as informações antes de acreditar nelas ou compartilhá-las. Desconfie de notícias sensacionalistas, que buscam destruir reputações sem provas concretas ou que chegam sem fonte confiável. A verdade não se baseia em manchetes impactantes, mas em fatos comprováveis e verificáveis.
Mais do que nunca, o combate às fake news é uma responsabilidade coletiva. Cabe a cada um de nós, eleitores e cidadãos, fazer nossa parte ao questionar, investigar e não propagar mentiras que podem prejudicar não apenas a campanha de um candidato, mas o futuro da nossa cidade. As eleições municipais são um momento crucial para decidirmos o que queremos para nossa comunidade, e essa decisão deve ser feita com base na verdade, não em manipulações e falsidades.
Eleger o melhor candidato para a cidade é um ato de responsabilidade e consciência cívica, e isso só é possível quando estamos bem informados. Portanto, neste período eleitoral, mais do que nunca, pense antes de compartilhar. Não permita que as fake news definam o futuro da sua cidade.
Eleger candidato condenado por corrupção é "colocar a raposa para tomar conta do galinheiro"
Eleger alguém condenado por corrupção é assumir o risco de ver os mesmos problemas se perpetuarem: desvio de verbas, mau uso dos recursos públicos e, claro, a sensação de impotência frente a um sistem
Por: Redação Sudoeste Bahia
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Foto: Divulgação | TSE
- As eleições municipais de 2024 se aproximam, e com elas a responsabilidade dos cidadãos de escolherem representantes que realmente lutem pelo bem comum e pelo desenvolvimento da cidade. Mas, em meio às promessas e discursos populistas, surge um alerta importante: votar em candidatos condenados por corrupção é, como diz o ditado popular, "colocar a raposa para tomar conta do galinheiro". É permitir que quem já abusou do poder e desviou recursos volte ao comando, com todas as possibilidades de repetir os mesmos erros – ou até fazer pior.
A corrupção é um dos maiores entraves ao progresso de qualquer sociedade. Quando elegemos pessoas com esse histórico, estamos não só legitimando a falta de ética e o desrespeito ao dinheiro público, mas também deixando a porta aberta para que os interesses pessoais prevaleçam sobre as necessidades da população. Afinal, quem já foi capaz de fraudar licitações, desviar verbas ou enriquecer às custas do povo, dificilmente agirá de forma diferente ao ocupar novamente um cargo de poder.
É essencial que o eleitorado compreenda que um político corrupto não prejudica apenas a economia do município, mas também mina a confiança nas instituições e impede que os recursos públicos cheguem onde são mais necessários, como na saúde, educação e infraestrutura. E, no fim das contas, quem mais sofre com essa má gestão são os cidadãos, especialmente os mais vulneráveis.
Portanto, ao analisar os candidatos, não se deixe enganar por discursos bonitos ou promessas mirabolantes. É crucial verificar o histórico de cada um, observar se já houve condenações ou envolvimentos em escândalos de corrupção e, principalmente, se essa pessoa realmente representa uma mudança positiva para a cidade. Lembre-se: votar em um candidato ficha suja é dar mais uma chance para que ele repita os erros do passado.
O eleitor precisa estar consciente de que a responsabilidade de mudar a política começa com cada voto. Eleger alguém condenado por corrupção é assumir o risco de ver os mesmos problemas se perpetuarem: desvio de verbas, mau uso dos recursos públicos e, claro, a sensação de impotência frente a um sistema que parece nunca mudar. E isso é tudo que uma cidade que quer progredir não pode aceitar.
Por isso, em 2024, vamos votar com responsabilidade, pensando no futuro da nossa comunidade e não apenas em promessas vazias ou vantagens imediatas. Lembre-se: colocar uma raposa para tomar conta do galinheiro é garantir que os interesses dos cidadãos sejam devorados pelas ambições de quem nunca demonstrou compromisso com o bem comum.
Escolher bem não é só sobre o prefeito: avalie também o vice e os apoiadores
Não basta escolher bem o prefeito: conheça também o vice e os apoiadores, e entenda se estão comprometidos com o bem da cidade ou apenas com interesses próprios.
Por: Redação Sudoeste Bahia
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Foto: Reprodução | TSE
- Em tempos de eleição, o eleitor tende a focar todas as suas atenções no candidato a prefeito, buscando entender suas propostas, histórico e trajetória política. No entanto, é crucial lembrar que a administração de uma cidade não se resume apenas ao prefeito. O vice-prefeito e as pessoas que estão ao lado do candidato, apoiando sua campanha, também desempenham um papel fundamental e podem influenciar diretamente os rumos da gestão. Por isso, o eleitor precisa ser criterioso ao avaliar toda a equipe que compõe essa candidatura.
O vice-prefeito não deve ser escolhido apenas para preencher uma chapa. Ele será o substituto direto do prefeito em situações de ausência ou, em casos extremos, pode até assumir o comando da cidade em definitivo. Portanto, é necessário saber se o vice tem preparo, capacidade de liderança e, principalmente, se compartilha os mesmos valores éticos e compromissos com o bem público. Será que essa pessoa está preparada para gerir a cidade se for necessário? Ou foi escolhida apenas por conveniência política?
Além do vice, os apoiadores também merecem atenção. Muitas vezes, quem está ao lado de um candidato carrega interesses próprios, não preocupados com o desenvolvimento da cidade, mas com benefícios pessoais ou ganhos políticos. Esses grupos de influência podem ser decisivos nas decisões que o prefeito irá tomar. Você já se perguntou se essas pessoas estão realmente comprometidas com o bem da população ou apenas com os próprios interesses?
É fundamental olhar além das promessas de campanha e discursos ensaiados. Analise quem está apoiando a candidatura, quais são suas intenções e se essas pessoas têm um histórico de lutar pelo bem comum. Eleger um prefeito sem avaliar o contexto que o cerca pode levar a surpresas desagradáveis no futuro, e quem paga o preço dessas más escolhas é sempre a população.
Portanto, antes de definir seu voto, avalie o conjunto da chapa e o círculo de apoio do candidato. Vote consciente, lembrando que uma cidade próspera e bem governada depende não só de um prefeito competente, mas de uma equipe alinhada e comprometida com os interesses da comunidade.
A vergonha da saúde pública: vagas para cirurgias como moeda eleitoral
Enquanto esses políticos utilizam suas influências para furar filas e garantir favores eleitorais, a população mais vulnerável, que não tem acesso a esses privilégios, continua penando
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Foto: Divulgação | Sesab
- A crise no sistema de saúde pública é uma realidade dolorosa para milhares de brasileiros que enfrentam filas intermináveis por uma chance de tratamento. Em um cenário onde vidas dependem de vagas para cirurgias e consultas, o que deveria ser um direito básico se transforma em uma luta desesperada por atendimento. O que agrava ainda mais essa situação é o uso político dessas vagas, transformando o sofrimento das pessoas em moeda de troca eleitoral.
Recentemente, em Caetité, um episódio chocante trouxe à tona essa prática vergonhosa. Um áudio atribuído à vereadora e candidata a reeleição, Maria da Serragem, vazado em um grupo de WhatsApp, revela a oferta de vagas para cirurgias em uma unidade de saúde pública, supostamente usadas para ganhar apoio político. A situação é alarmante: políticos utilizando seus cargos de influência para garantir votos, enquanto cidadãos comuns sofrem nas filas, muitas vezes sem perspectiva de atendimento.
Foto: Reprodução | Vilson Nunes
Esse caso não é isolado. Nas redes sociais, circulam prints do também candidato Alex Castro oferecendo vagas para cirurgias na Unacon, uma unidade de tratamento oncológico de grande importância para a região de Caetité. O fato de que vagas em uma unidade de saúde tão crucial estão sendo usadas como barganha eleitoral é uma afronta ao direito à saúde. O que deveria ser um sistema justo, onde os mais necessitados são atendidos com prioridade, está sendo manipulado em benefício de interesses eleitoreiros.
Enquanto esses políticos utilizam suas influências para furar filas e garantir favores eleitorais, a população mais vulnerável, que não tem acesso a esses privilégios, continua penando. Pessoas que realmente precisam de tratamento ficam à mercê de um sistema falido, onde a saúde pública, já sobrecarregada, ainda precisa lidar com a corrupção moral de seus representantes.
Essa prática é um absurdo em qualquer circunstância, mas se torna ainda mais grave em períodos eleitorais. A promessa de vagas em troca de votos não só desrespeita os princípios básicos de justiça e equidade, mas também reforça o ciclo de dependência e abuso de poder que impede o avanço de uma política transparente e justa.
É necessário que a população tome consciência desse tipo de prática e exija responsabilidade de seus representantes. Além disso, é imperativo que o Governo do Estado da Bahia, o Ministério Público da Bahia e a Justiça apurem com rigor essas denúncias e, caso comprovadas, punam os envolvidos com o máximo de severidade. O uso de vagas para cirurgias como moeda de troca não pode ser tolerado. A saúde pública é um direito de todos, não um favor a ser distribuído em troca de apoio político.
Traição ou estratégia? A controversa possível aliança política em Caetité
A aliança potencial entre cocás e jacus desafia a tradição política do município
Por: Redação Sudoeste Bahia
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Foto: Reprodução | Redes Sociais
- A notícia da possível união entre os grupos políticos liderados pelas famílias Oliveira e Ladeia em Caetité trouxe à tona um intenso debate entre os militantes e a população local. Os Cocás e os Jacus, como são conhecidos os simpatizantes de cada grupo, historicamente são adversários ferrenhos nas eleições municipais. No entanto, a divulgação dessa possível aliança, que aconteceu na noite de ontem (31) pelas redes sociais, provocou reações diversas, tanto positivas quanto negativas.
A figura de Zé Barreira (PCdoB), pré-candidato à prefeitura de Caetité e representante do grupo Oliveira, ao receber o apoio do advogado Eder David e de Fabiane Públio, viúva do ex-prefeito Ricardo Ladeia, é o ponto central das discussões. Eder David, derrotado nas últimas eleições municipais, e Fabiane Públio, esposa de um dos maiores líderes políticos que o município já teve, Ricardo Ladeia, representam um passado de rivalidade política intensa.
Ricardo Ladeia, que faleceu em 09 de outubro de 2016, poucos dias após ser derrotado nas urnas pelo candidato dos Oliveira, Aldo Gondim, deixou um legado marcante na política de Caetité. Seu lema, “Minha gente, o meu abraço”, ressoou nas campanhas eleitorais e em sua vida política. A derrota nas eleições, seguida de sua morte, foi um evento que marcou profundamente a cidade, agravado pelas provocações dos adversários que desfilaram com um caixão pelas ruas de Caetité.
Além disso, a situação se complica ainda mais pelo fato de Eder David ser um dos autores das ações que recentemente condenaram Zé Barreira a mais de cinco anos de prisão por fraude em licitações. Além disso, Éder David é autor da ação de investigação judicial de processo número 0000001-50.2017.6.05.0063 que deixou Zé Barreira inelegível por 8 anos.
Ricardo Ladeia, em vida, era um defensor ferrenho da moralidade na política e na gestão dos recursos públicos, o que coloca sua viúva e seu sucessor em uma posição delicada ao apoiarem um possível aliado político envolvido em escândalos.
A possível união, no entanto, gira em torno de especulações baseadas em um áudio vazado do ex-vereador Julão Ladeia, onde ele expõe uma reunião realizada sem a sua presença entre os grupos, onde estaria sendo costurada a aliança. No áudio, são citados os nomes de Fabiane e da vereadora Maria da Serragem como possíveis nomes para ocupar a vaga de vice na chapa encabeçada por Zé Barreira. Adicionalmente, uma postagem de um pré-candidato a vereador aliado de Zé Barreira nas redes sociais, dando boas-vindas ao grupo dos Jacus, reforça essas especulações. Na imagem compartilhada, aparecem Eder David, Fabiane Públio e Zé Barreira, mas nem Fabiane nem Eder se manifestaram oficialmente sobre a possível aliança.
Diante deste cenário, surge a pergunta que ecoa entre os eleitores e os militantes dos dois grupos: viver o presente ou respeitar o passado? A união entre os Cocás e os Jacus pode ser vista como um movimento estratégico para fortalecer a oposição ao atual governo municipal, buscando a superação de rixas históricas em prol de um objetivo comum. No entanto, para muitos, essa aliança soa como uma traição aos princípios e à memória de Ricardo Ladeia, cuja luta pela moralidade e ética na política sempre foi uma marca de seu legado.
Os militantes dos dois grupos, possivelmente unidos, enfrentarão o desafio de conciliar essas divergências e de encontrar um caminho que respeite tanto o presente quanto o passado. A política é feita de alianças e concessões, mas é fundamental que esses movimentos sejam guiados por princípios e valores que não sejam esquecidos ao sabor das circunstâncias. A história de Caetité está sendo escrita a cada dia, e cabe aos seus protagonistas decidir como desejam ser lembrados no futuro.
Livramento: Lealdade ou pragmatismo? Eis o dilema de Ricardinho
Fontes próximas ao prefeito afirmam que Ricardinho possui nítida preferência por Jânio Soares
Por: Tiago Rego | Jornalista
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Foto: Reprodução | Sudoeste Destaque
- “A escolha de Sofia” é uma expressão que invoca a imposição de se tomar uma decisão difícil sob pressão e enorme sacrifício pessoal, como a vista no filme homônimo de 1982 que valeu a Meryl Streep o Oscar de melhor atriz. Sempre que alguém está diante de um grande dilema, quando é necessário a tomada de uma grande decisão, é dito que a pessoa tem que fazer a tal escolha de Sofia. E é exatamente este dilema que vive hoje o prefeito de Livramento de Nossa Senhora, Ricardo Ribeiro, o Ricardinho. Na segunda-feira (14), este colunista que vos escreve, esteve acompanhando a entrega de obras por parte do governo da Bahia, que contou com a presença do governador Jerônimo Rodrigues, de lideranças políticas livramentenses e região, mas os olhos da plateia que prestigiava o prefeito estavam voltados para duas pessoas: Joanina Sampaio, vice-prefeita municipal, e Jânio Soares, que se segundo os próprios aliados de Ricardinho, é o conselheiro do gestor. No entanto, Jânio é bem mais do que um conselheiro. O que é sabido, é que Jânio é o principal responsável pela chegada do fruticultor à frente do poder Executivo livramentense. Em contrapartida, no pleito de 2020, em que Ricardinho foi reeleito, a permanência de Joanina no grupo situacionista foi fundamental, pois vale lembrar, que Sampaio chegou a ensaiar uma debandada, com direito a foto e tudo. No entanto, a vice-prefeita, que segundo ela mesma, seu cargo não servia para nada, ganhou luz própria. Luz própria ao ponto de provocar um verdadeiro clarão nas ideias de Ricardinho. Ainda sobre o evento com Jerônimo, mesmo sendo uma coadjuvante, os holofotes se voltaram para a empresária, no momento em que Jerônimo citou o nome de Jânio, predileto de Ricardinho, segundo fontes ligadas ao prefeito, mas logo em seguinte disse: “queria uma salva de palmas para a vice-prefeita”, o que levou a plateia em uníssono bradar: “Joanina, Joanina, Joanina”. Há quem diga, que a voz do povo é a voz de Deus, ou melhor, como bem disse uma dessas figuras folclóricas de Livramento: “quando o povo quer, não tem jeito”. Mas enquanto Ribeiro; lança Jânio, seu braço direito, ou vai de Joanina? Eis o x da questão da “escolha de Sofia” entre lealdade e pragmatismo.
Tiago Rego é jornalista formado pela Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, com certificações em marketing político e rede de afetos político. Colunista do site Sudoeste Bahia.
Opinião: Por festejos juninos sem sertanejo universitário financiado com dinheiro público
"Cabe ao poder público, levando em conta o conceito de identidade cultural, fornecer subsídios para que a cultura da música nordestina, juntamente com seus costumes e tradições mantenham-se fortes"
Por: Tiago Rego | Jornalista
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Foto: Ilustrativa
- O mês de junho é, sem sombra de dúvidas, o mais nordestino de todos. E, claro, que isso se deve ao forró, música oficial dos festejos juninos. Portanto, o São João é a época do ano em que o Nordeste se afirma, mais do que nunca, enquanto potência cultura e, neste contexto, cabe ao poder público, levando em conta o conceito de identidade cultural, fornecer subsídios para que a cultura da música nordestina, juntamente com seus costumes e tradições mantenham-se fortes. No entanto, o que tem se visto nos últimos anos, é um desvirtuamento das festas de São João, dada a enorme inclusão de artistas do gênero sertanejo, principalmente o tido como “universitário”. Quero deixar claro aqui, que não se trata de um repúdio ao estilo musical que é super popular e faz parte do modo de ser do brasileiro, mas sim, da defesa da identidade cultural. Entende-se por identidade cultural, costume, rito, celebração ou experiência que é típica de um povo. E neste contexto, o forró está para o São João assim como o samba está para o carnaval carioca, e é preciso que os administradores do dinheiro público entendam este expediente. Só para explicar, que não se trata de impor barreiras ao sertanejo, na semana passada, o cantor Flávio José, um dos grandes ícones da música de Luiz Gonzaga, fez uma reclamação mais do que justificável que seu show, em Campina Grande, na Paraíba, teve mais de 30 minutos diminuído, para ampliar a apresentação de Gusttavo Lima, ou seja, um verdadeiro acinte à cultura popular, e o que é pior: a iniciativa partiu da própria Prefeitura de Campina Grande. No contexto local, em Livramento de Nossa Senhora, o prefeito Ricardinho (PSD), anunciou com muito êxtase, que a dupla João Bosco e Vinícius será uma das atrações da Festa da Rua do Areião, que apesar de ter agradado uma parcela grande dos livramentenses, já que os cantores contam com uma grande base de fãs, do ponto de vista cultural, a escolha foi mal pensada. Portanto, diante do avanço do capital empresarial, que investe cifras milionárias com divulgação e até mesmo impulsionamento em rádios e serviços de streamings, formando praticamente um cartel musical, cabe ao poder público preservar a essência do São João e seu principal ativo: o forró.
Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Sudoeste Bahia.
























