Novas linhas de transmissão de energia vão atender 20 cidades baianas
Projeto prevê 1.097 km de novas linhas de transmissão e três subestações até 2029.
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Foto: Feijão Almeida | Governo da Bahia
O governador Jerônimo Rodrigues participou, nesta segunda-feira (8), do lançamento da pedra fundamental do projeto Serra Dourada, da Isa Energia Brasil, no Palacete Tira Chapéu, no Centro Histórico de Salvador. A iniciativa prevê ampliar o acesso de 20 municípios baianos e três mineiros às fontes solar e eólica até 2029. O empreendimento inclui a construção de cinco linhas de transmissão aérea em 500 kV, totalizando 1.097 quilômetros, com alcance no Oeste da Bahia e no Norte de Minas Gerais. Segundo o governador, cerca de 1.500 trabalhadores já atuam nas frentes do projeto.Rodrigues afirmou que a expansão da transmissão é estratégica para o setor elétrico. Ele destacou que os novos linhões vão reforçar o escoamento da energia produzida no estado para atender regiões com maior demanda. O plano prevê ainda três subestações em Campo Formoso II, Barra II e Correntina, com a função de reduzir a carga da rede atual e fortalecer a interligação dos sistemas Nordeste e Sudeste. Para o diretor-presidente da Isa Energia Brasil, Rui Chammas, o avanço da transmissão é decisivo para integrar parques geradores e garantir o abastecimento.Conquistado no Leilão de Transmissão da Aneel nº 01/2023 (lote 1), o Serra Dourada terá investimento de R$ 3,2 bilhões e integra ações do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) voltadas ao escoamento de energias renováveis na Bahia e em Minas Gerais.
Excesso de energia renovável no Brasil gera cortes e preocupa setor elétrico
A superprodução de energia eólica e solar no Brasil tem causado cortes diários e coloca em risco a segurança do sistema elétrico. Especialistas pedem um novo planejamento para lidar com o excedente.
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Foto: reprodução
O Brasil tem gerado uma quantidade superior de energia renovável em relação à sua demanda, o que, embora pareça positivo, tem se tornado um problema para o sistema elétrico. A maior parte desse excedente provém dos parques eólicos e solares localizados no Nordeste do país. Esse aumento de produção tem comprometido a segurança do sistema elétrico, levando o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a solicitar o desligamento diário dessas usinas. Desde 2022, a magnitude dos cortes tem se intensificado. Na última quarta-feira (17), foram retirados do sistema cerca de 11 gigawatts, o que equivale à potência de uma usina hidrelétrica como Itaipu."É necessário realizar esses cortes porque a geração é muito superior à demanda. O sistema precisa manter sempre o equilíbrio entre a produção e o consumo de energia", explicou Luiz Eduardo Barata, presidente da Frente Nacional dos Consumidores de Energia. Especialistas apontam que a falta de planejamento para lidar com a sobrecarga de energia renovável tem sido um fator crucial para essa situação. "As mudanças que deveriam ser profundas e estruturais estão sendo substituídas por soluções pontuais que não resolvem os problemas de forma ampla", afirmou o ex-diretor-geral do ONS.A representante do setor eólico, Elbia Gannoum, estimou que os prejuízos causados pelos cortes chegam a R$ 5 bilhões nos últimos três anos. Em resposta, a indústria entrou na Justiça buscando compensações pelos danos. O aumento da geração de energia solar, especialmente a solar fotovoltaica nos telhados, tem exacerbado a situação. Embora beneficie mais de 20 milhões de brasileiros com descontos na conta de luz, essa energia não é controlada pelo ONS, o que impede que o excesso seja desconectado. Carlos Evangelista, presidente da Associação Brasileira de Geração Distribuída, defende que o crescimento da geração distribuída tem aliviado o custo para os consumidores. "Essa expansão ajuda a reduzir os custos da eletricidade, pois estamos descentralizando a geração e beneficiando o sistema", afirmou. O Brasil não é o único país enfrentando essa situação. Nações como os Estados Unidos, Alemanha e Austrália também lidam com problemas similares relacionados ao excesso de energia renovável. Para lidar com o excedente, especialistas sugerem um novo planejamento estratégico, como a instalação de datacenters em locais adequados, o incentivo à indústria do hidrogênio verde e o uso de baterias para armazenar a energia excedente durante o dia e utilizá-la à noite. O ONS, em parceria com o Ministério de Minas e Energia, a Aneel e a Empresa de Pesquisa Energética, está trabalhando na revisão das políticas e regulamentos para melhorar a eficiência e garantir a operação segura do sistema elétrico brasileiro.
























